quinta-feira, julho 23, 2009

Apetece-me farturas
Há festa em Guimarães
Caos total

E só penso em farturas :)))

segunda-feira, julho 20, 2009


domingo, julho 19, 2009

TOLERÂNCIA E RESPEITO



A tolerância e o respeito têm muito que se lhe diga. São dois valores cada vez mais em desuso na sociedade actual, onde as pessoas vivem stressadas, imbuídas no seu próprio ser sem tempo para dedicar aos outros e sem paciência para tal.
Por vezes custa muito sermos tolerantes quando esperamos pelo autocarro que está vinte minutos atrasado, quando a pessoa com quem falamos nos irrita solenemente, enfim, são várias as ocasiões em que nos é exigido sermos tolerantes e que nos custa muito a sê-lo efectivamente.
A tolerância é uma espécie de paciência para com alguém que levada ao extremo se pode transformar em indiferença. É um valor que nem sempre é fácil de cumprir e que é fácil não cumprir, mas que está sempre presente ao longo do nosso dia a dia. Resulta da convivência que se quer pacífica com os outros, que nem sempre são alvo de uma cuidada atenção e compreensão. A intolerância resulta de uma falta de tempo para com os outros - para os compreender, para os tentar perceber, para dedicar-lhes alguns minutos de atenção que se quer mais especial.
Podemos dizer que, por natureza, todos somos um pouco intolerantes porque todos somos um pouco egoístas. Nem sempre é fácil desligarmo-nos do nosso umbigo e olhar para os outros na tentativa de os compreendermos. Porque partimos do princípio de que primeiro estamos nós e o nosso bem-estar e só depois os outros. Mas os outros são parte integrante do nosso mundo, dão-lhe um sentido – não vivemos sozinhos e tal como dependemos dos outros para que nos ouçam também eles requerem da nossa ajuda quando se dá o inverso. Podemos nem sempre estar para aí virados mas devíamos estar.
O respeito é outro valor que tem a ver com os outros embora parta de cada um de nós. O respeito é um preocupar-se com, é um tomar em consideração, é um acto de amor – só há amor quando o respeito se instala pois não é possível amar sem respeitar o outro e vice-versa. Tal como nos respeitamos a nós próprios assim devemos respeitar os outros.
De certa maneira, respeito e tolerância aparecem interligados. Ambos são um ter em atenção os outros, dedicar-lhes atenção, compreendê-los, ou pelo menos tentar fazê-lo da melhor maneira, que é a como gostávamos que fizessem connosco. Partindo do nosso eu é possível encontrar a melhor maneira de tratarmos os outros.
Sem o respeito e a tolerância, dois valores constituintes do estado democrático, a anarquia instalar-se-ia facilmente sob múltiplos aspectos e é isso que se tenta evitar promovendo valores tão fundamentais como o são os anteriormente referidos.

Girl, you'll be a woman... soon

I love you so much, can't count all the ways
I've died for you girl and all they can say is
"He's not your kind"
They never get tired of putting me down
And I'll never know when I come around
What I'm gonna find
Don't let them make up your mind.
Don't you know...

Girl, you'll be a woman soon,
Please, come take my hand
Girl, you'll be a woman soon,
Soon, you'll need a man

I've been misunderstood for all of my life
But what they're saying girl it cuts like a knife
"The boy's no good"
Well I've finally found what I'm a looking for
But if they get their chance they'll end it for sure
Surely would
Baby I've done all I could
Now it's up to you...

Girl, you'll be a woman soon,
Please, come take my hand
Girl, you'll be a woman soon,
Soon, you'll need a man

Girl, you'll be a woman soon,
Please, come take my hand
Girl, you'll be a woman soon,
Soon but soon, you'll need a man

Se ao menos me desse ao trabalho de ler as coisas com calma e com olhos de ver talvez não fosse tão intempestiva nem tão parva como sou.

segunda-feira, julho 06, 2009

Segunda-Feira - 9 da noite

Não deixa de ter lógica começar a achar-me velha. Com 32 anos e 3 dias.
Olhando as páginas que precedem o tempo em que agora escrevo posso afirmar que pouco se alterou na minha maneira de ser, de querer, de desejar, de pensar.
De pensar como gostaria que a minha vida tivesse sido. Não pedi muito, nem queria mais mas nem esse poucochinho consegui.
- Fui feliz. Fui triste. Fui o que fui, senti o que senti nas circunstâncias em que vivi e foi o que foi. Nem melhor, nem pior. Posso sempre dizer que poderia ter sido diferente mas nad nem ninguém duas vezes. Hoje posso dizer, achar muita coisa mas em relação a isto não. Nem adiantava de nada.
Nem hoje adianto eu lamentar-me que não gosto da vida que tenho - também só está nas minhas mãos mudá-la se desejar. Ou vivê-la. Ou perdê-la e perder-me nela e com ela. Como um fardo que se carrega e se impinge aos outros.
Se alturas há em que ninguém me aguenta muitas são as que eu também já não aguento ninguém. Nem a mim mas comigo posso eu. Não me quero mas posso.
E a dada altura chegar à conclusão que estar calada é mesmo o melhor remédio quando dentro de mim é só um barulho ensurdecedor. Revoltar-me por fim da merda que é o silêncio quando tenho tanto para dizer, quando há tanto para ser dito que senão agora se esquecerá.
Merda de mania de achar que somos eternos. Que o tempo dá para tudo. Que há muito tempo. E o tempo é uma fracção de segundo que nem chega a um minuto, em que tudo se pode alterar. Um suspiro e tudo muda, tão volátil... Como um espirro que vem do mais fundo de nós e não há maneira de controlar.
Assim fossem as pessoas. Muitas caladas. Tanta gente que calada dizia nada, muito mais do que quando cacofaneiam.
Por fim devolver ao céu que nunca foi meu todos os que amo com a mesma intensidade que outras vezes odeio.

Fafe, 6 de Julho de 2009


- Segunda-feira-

Cada vez mais a escrita flui como um espirro, um vómito que mancha a folha e que jorra de dentro de mim.

É que não há outra maneira e só sei escrever assim

domingo, junho 28, 2009




She was more like a beauty queen
From a movie scene
I said: Don't mind, but what do you mean
I am the one
Gonna dance on the floor in the round
She said I am the one
Gonna dance on the floor in the round

She told me her name was Billie Jean
As she caused a scene
Then every head turned with eyes
That dreamed of being the one
Gonna dance on the floor in the round

People always told me be careful of what you do
Don't go around breaking young girl's hearts
And mother always told me
Be careful of who you love
Be careful of what you do
'Cause the lie becomes the truth


Billie Jean is not my lover
She's just a girl who claims that I am the one
But the kid is not my son
She says I am the one, but the kid is not my son

For forty days and forty nights
The law was on her side
But who can stand when she's in demand
Her schemes and plans
Gonna dance on the floor in the round
So take my strong advice,
Just remember to always think twice
(Do think twice)

She told my baby that's a threat
As she looked at me
Then showed a photo of a baby cries
Eyes would like mine
Gonna dance on the floor in the round, baby

People always told me be careful of what you do
And don't go around breaking young girl's hearts
She came and stood right by me
Then the smell of sweet perfume
This happened much too soon
She called me to her room

CHORUS:
Billie Jean is not my lover
She's just a girl who claims that I am the one
But the kid is not my son
Billie Jean is not my lover
She's just a girl who claims that I am the one
But the kid is not my son
She says I am the one
But the kid is not my son

She says I am the one
But the kid is not my son


Billie Jean is not my lover
She's just a girl who claims that I am the one
But the kid is not my son
She says I am the one
But the kid is not my son
She says I am the one
She says he is my son
She says I am the one
Billie Jean is not my lover ...

segunda-feira, junho 22, 2009

Vestido de Cetim...




segunda-feira, junho 08, 2009

sábado, junho 06, 2009




As gajas são do piorio,

E os gajos um bocado burros


sexta-feira, maio 15, 2009



“Devolvo à tarde triste a luz que me entristece,
E vou entristecendo
O largo,
O rio,
O campo
E, mais além, a linha do horizonte.
Mas repreendo os olhos e regresso
À página vazia
Onde, possesso (a)
Aguardo que desponte
A luz de um novo dia.


Um dia alegre,
Limpo,
Singular,
De nenhuma semana,
De nenhum mês,
De nenhum ano,
Miraculosamente amanhecido
Nas sílabas de um verso enfeitiçado,
A ressoar, medido e desmedido,
Na concha do ouvido
Deslumbrado.”

Miguel Torga

terça-feira, maio 12, 2009

De que são feitas as palavras



Por vezes gostava que as palavras fluíssem com naturalidade, na velocidade exacta do que vou pensando, uma conjugação perfeita com o meu dicionário mental. Mas nem sempre isso acontece. Dou por mim a procurá-las nos meandros de pensamentos que voam fugazmente entre aquilo que penso e o que escrevo. Desenhos abstractos da minha alma perturbada com alguma coisa, com o que vai correndo e ocorrendo no e pelo mundo, injusto por sinal, mas quem não o sabe assim? Muitas vezes são silêncios que dão forma ao que vou pensando – abafos de muitos desabafos calados, que a boca não chega a consentir que sejam ditos e que a cabeça esconde subtilmente entre um sorriso ou uma cara de poucos amigos.
E se não existisse qualquer filtro entre o que se diz e o que se pensa ou antes entre o que se pensa e o que se diz. Se houvesse um canal directo e todos fossem como que obrigados a dizer tudo o que lhes ia passando pela mente, nunca cansada de se exercitar? Seria um mundo melhor? Seríamos mais felizes ou, pelo contrário, andaríamos todos chateados uns com os outros porque a verdade magoa e nem sempre os pensamentos sobre as coisas são os mais bonitos? Não há resposta. Nunca haverá resposta porque todos sofremos essa castração primária, incutida quase inatamente, de esperarmos que o pensamento se acalme quando está chateado, se trave quando está feliz e a dizer o mais conveniente. Por isso somos todos muito falsos, não nunca muito falsos, mas falsos na nossa essência social. Por isso se diz que as crianças na sua ingenuidade dizem coisas “engraçadas” quando na verdade apenas enunciam verdades até então veladas, seja lá porque razão for.
As palavras são traiçoeiras, matreiras, perigosas, duvidosas. Nem sempre querem dizer aquilo que dizem, há outros sentidos que lhes estão subjacentes e que nem sempre são perceptíveis. Para entender as palavras no seu todo há que, sobretudo, saber ler nas entrelinhas daquilo que elas nos dizem. Porque as palavras não são meras palavras – engendradas pelo cérebro e verbalizadas pela boca, medeiam-nas todo um conjunto de sentimentos que, como é sabido, nem sempre primam pela coerência. Porque é que quando alguém diz “não gosto mais de ti” o outro, o desgostoso, pede, invariavelmente, a repetição da frase “olhos nos olhos”. Porque a verdade é que as palavras possuem uma frieza que o contacto físico, humano, visual destrona por completo. Por isso é que se opta tanto por dizer as maiores barbaridades ao telefone (como despedir alguém, por ex.), para não ter de enfrentar o olhar (im)piedoso e desarmador do olhar.
De um outro prisma as palavras adquirem uma força coerciva e persuasiva muito grandes. Vejamos os discursos políticos. Neles toda a ordem palavral é invertida no sentido único que se lhe quer dar e no fim todos concordam com o que o “homenzinho” disse. É um discurso apelativo, altamente pernicioso, uma vez que leva o zé povinho a convicções que mais não são do que promessas feitas à queima roupa sem qualquer intuito de um dia se virem cumpridas e convicções tortas que se aparentam direitas num povo ávido em lutar por ideais. Os políticos sabem isso e aproveitam-se desse facto jogando com as palavras, atacando-se mutuamente, mostrando os podres de uns e os fracos dos outros, apelando a grandes paixões. Usam a palavra pátria sem significado algum só porque sabem que é um dito que estremece as ideologias da gentalha sem ideias e ideais para se debater.
Por tudo isto resta dizer que é preciso ter algum cuidado com aquilo que se diz. Digo algum pois se assim não fosse tudo sairia muito certinho, politicamente correcto mas muito pouco verdadeiro. É na beleza de cada palavra que devemos encontrar o mote para construir frases também elas bonitas, plenas de significados, ocultos muitos, evidentes alguns, mas nunca recear dizê-los. Pois como já diz o ditado valem mais cem palavras do que sem palavras, ou antes digo eu, pronto.

sexta-feira, maio 01, 2009

Saudades-Férias!

segunda-feira, abril 27, 2009




Por vezes a única suavidade na vida é nada se dizer e nada se entender. Ou tudo se entender pela metade. No entanto sendo que a metade é quase nada e tão nossa podemos concluir que na ausência de comunicação directa e proactiva nada se entende.
O processo de entendimento pode ser doloroso. A verdade exposta nem sempre é do agrado nem dos mais audazes.
“Prefiro ser burro do que saber. Saber o quê? – O que não sei e faz de mim burro.”
Nesse desencantamento que são estes dias que se arrastam que arrastamos e que deixamos que se arrastem. Nesta inoperância perante o nosso mundo que se alarga ao mundo dos que nos são mais próximos. O não querermos muitas vezes saber de ninguém, esquecer a nossa existência por instantes, parar o relógio – olha! Avariou, ou é a cabeça a frangalhar? Não importa. Que há-de importar quando tudo o resto incluindo o individuo não passa de um vazio???
Como preenchê-lo? Como abandoná-lo?
Estamos adulterados. O ser humano no estado puro não existe. Faz-se de conta e depois perde-se a conta de quantos disfarces já se vestiu. Não compreendo.
Será a honestidade uma coisa assim tão complicada? Capas e kispos, resmas de outros eu´s que deixam habitar nos seu´s. Para quê - atreve-se alguém a perguntar sabendo que de resposta mais um chorrilho de outros alternadeiros????
Que importa tudo afinal?
Nada… Ou tudo.
Simples não?

sábado, abril 25, 2009

...

Regresso...
Ao meu canto. Ao papel em branco. Às palavras que fui guardando cá dentro.
Ao que fui observando e vivendo sem necessidade de passar para o papel.
Contra-natura - a minha.
Será "isto" é o melhor que se tem da vida e que melhor do que isto é impossível?, (porque pior já sabemos que existe).
Neste quotidiano que hoje é tão de cada um, tão comum e ao memso tempo tão díspare será que alguém pára um segundo e se questiona: a vida e tudo o resto é só isto?
A vida é o que é - não facilita.
É sempre a perder.
Há que vivê-la da melhor maneira. Com mais leveza que o peso chegará.
Se possível sem o stress - palavra recente no léxico português - sem a pressão, ou com tudo isso mas relevando.
Distrinçar de uma vez por todas o que importa e o que pôr de lado.
Já não me canso com as muidezas. Com coisas pequeninas.
Como alguém disse "para ser grande sê inteiro", não excluindo nada de mim, mas da minha vida dispensando o que é acessório.
A vida é tão maior e melhor.
E no céu uma lua brilha porque Alta Vive.

sexta-feira, julho 25, 2008

do tanto que não escrevi

Não escrevi. Não tenho escrito.
Não deixei de pensar mas não me apetecia. escrever. nem rabiscar num bloquinho.
pensando bem ainda não me apetece...
....

quinta-feira, junho 05, 2008

quinta-feira, março 27, 2008

Carlos Paiao - Cinderela

é daquelas que trauteio no carro e que canto sorrindo à minha priminha...

quarta-feira, março 19, 2008

Aos 30 alguma diferença havia de se notar

Hoje acordei assim. Não exactamente "assim" mas com um par de olheiras nos olhos.
Uma semana atrás gabava-me de não ter olheiras nem rugas, no alto dos meus *** anos. dos meus 30 anos. Conselho ao meu corpo: nunca dormir mais do que quatro/cinco horas. Fico com olheiras. O meu corpo dispensa esse sono prolongado. Não faz parte da sua natureza. Tenho dito, a mim. Vale o que vale. Vale para mim....
Para depois não ficar com o olhar triste... além das olheiras que o compõem. A ver se isto volta ao sítio.

terça-feira, março 18, 2008

................................................


Hoje posso estar assim?
Amparas-me?
Proteges-me?
Coloca-me nessa redoma que são as palmas da tua mão feitas concha
E depois atira-me ao mar
Que me espera e me vai levar...
Tem é de ser hoje...
Obrigada...


Estes dias não têm cor. As pessoas dizem que são cinzentos mas não são. São um borrão. Não são nada... São dias e noites de um inverno que ainda não deixou.
Quando tudo parece distante vai-se a ver e não é bem assim. A noção do tempo inverte-se na nossa lógica esquecional.
Olhamos as coisas sem as ver realmente. Pensamos sem pensar. Trabalhamos por trabalhar. Assistimos sem dar por isso ao tempo a passar e quando achamos que já passou o tempo suficiente vamos a ver e olha, afinal não.
Não me importa que chova ou faça sol. Prefiro o sol e prefiro a lua cheia. Gosto de me molhar na chuva - se chorar ninguém vai notar porque as lágrimas se vão confundir com os salpicos de água que caem do céu. Do céu ou das nuvens? não importa é lá de cima...
Já me esqueci de muita coisa. Outras de que nem tinha memória vêem ter comigo agora - aos trinta anos. Ele há cada coisa... Ui Ui...
Deste passado recente é que não me recordo. Dantes a névoa recaia nas recordações que supostamente deveria ter da minha infância. gora recai sobre os últimos 10 anos, coisa e tal. Recai sobre meio ano coisa e tal. A memória é danada...
Recai sobre um minuto que não teve importânia alguma. Não o retive. Não quis. Não era bom. Sei lá porquê mas apagou-se. Como uma luz que se queima, uma vela ao sabor do vento. Era eu. Soprou o vento mais forte e fui-me.
Estou aqui mas não sou vela nem quente, nem ilumino ninguém. A gente também se farta.
Farta-se de ser gente e farta-se da gente que nos rodeia em determinado período. Não há muito a fazer. Não fazer frete. Seguir em frente.
Vamos para velhos e regressamos a uma nova infância. Vejo isso em certas pessoas. Ou então é feitio e defeito serem tão infantis.
Quem quer mimo neste dia frio e sem cor? E se enrolar num cobertor? E esquecer de vez aquela dor? E ouvir apenas o respirar tranquilo de quem adormece embalado pela recordação mais suave que tem? Ou por nenhuma recordação apenas o relaxar??
Quem?
Quem?
Quem?

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Pensava que gostava de rosas até descobrir a tulipa



Pensava que gostava de rosas até descobrir a tulipa. Pensava que não gostava que me catalogassem até me chamarem princesa. Ou princesa Tulipa.
Pensamos muita coisa até descobrirmos que o que pensávamos é bastante mutável. Não penso que agora volte a sê-lo. Gosto mesmo de tulipas e quem um dia me alertou para tal facto não imagina o horizonte que me abriu.
Também acho piada aos amores-perfeitos. Só uma flor poderia ter tal designação.
Depois de me compararem a uma tulipa nunca mais voltei a ser rosa. Por livre arbítrio entenda-se. Podia ser qualquer coisa mas iniciei um romance com as tulipas, uma cumplicidade que não ouso quebrar.
Um dia hei-de ter como sempre desejei uma Ana Rosa. Mas a rosa Ana já não sou eu, nem podia se nunca cheguei a ser. Nem a tal aspirei.
Parece que os espinhos são domínio exclusivo das rosas. Puro engano. Todas as flores e plantas têm os espinhos que vida nelas coloca. A nossa vida. A minha em particular.
Vão-se a rosas, alegro-me com as tulipas e pico-me e magoo-me e dói-me. Não igual. É outra dor que a da rosa faz parte do passado. Esta também fará quando a curar. Ficará o gosto pela flor. Só pela flor. Sem comparações – ou alguma que me seja impossível não estabelecer…

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Se conseguir simplificar a minha vida ao que de mais básico ela possa vir a necessitar vislumbro estandos de felicidade. Tais pensamentos são tão ou mais frequentes quando dou por mim, olhando para mim e para a minha vida com um total, absurdo mas absoluto desinteresse.
E então penso que não preciso ir muito longe. Que de mim, querendo ou não, não me é possível fugir.
Peço mar. Um marido pescador, os meus/nossos filhos. Que ele me trate bem.
Que eu goste dele.
Vejo com uma clareza e nitidez que só a nossa imaginação é capaz de fabricar:
O meu rosto marcado, vincado pelo sol, o cabelo seco apanhado num rabo de cavalo. De lado há muito postas de parte as vaidosices.
A cara despojada de creme ou base ou rouge ou sombra. O corpo que cheira a corpo e a maresia e não a um desses perfumes caros. De lado as roupinhas de menina bonita, os conjuntinhos, as combinações.
O coração nas mãos de tanto que aperta ao ver o meu marinheiro a fazer-se aà vida e entrar no mar. A mão esticada sobre os olhos para que o sol não me impeça de o ver bem. O olhar a perder-se no horizonte longe. Lá longe onde não se sabe onde começa o céu e acaba o mar.
Acordar desse transe com a voz dos meus filhos a puxarem-me as saias.
De manhãzinha vou lavar a roupa para o tanquee estendo-a enquanto faço contas á vida.
Antes do jantar vamos todos à praia, findo o dia de trabalho e de estudo para alguns deles. Contar-lhes histórias de sereias e marinheiros como o pai. Passam-me a mão pelo cabelo seco pelo sol e dizem que a mãe foi a sereia mais bonita que o pai encontrou e que foi por isso que se enfeitiçou por mim. Enquanto me rio contenho as lagrimas num soluço. Passo-lhes a mão pelos cabelos, acabo de dar de mamar. E penso que talvez seja hora de lhes contar outras histórias....

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Nada expressa melhor a palhaçada que se passa neste país

Não há dúvida que o humor é mesmo o melhor REMÉDIO!!!

sábado, janeiro 12, 2008

O que o tempo desfocou

Parece que se passou muito tempo. Tanto tempo que já perdi os contornos do teu rosto e tudo o que me resta é uma imagem desfocada que me recorda fugazmente o que foste. Deixei de te saber de cor. Deixaste de ser o mesmo, pelo menos como te conheci e agora não reconheço.
Este tempo deve-te ter alterado. Alterou-me a mim ou antes retomei a minha vida sem contar contigo. Custa mas é possível. Racionalmente tento compreender o sucedido, embora sem fazer grande esforço porque há coisas que escapam ao entendimento, e a ferida aberta já começava a ser profunda. Tratei dela, continuo a tratar. Já não sangra, mói mais do que dói.
Talvez um confronto directo, que não desejo, me ditaria a verdade mas não anseio ver-te ou rever-te de novo. Não é isso. Mas no tempo em que convivemos mais assiduamente tomei uma parte de ti que começou a ser uma espécie de espelho de quem fui quando estávamos juntos. Não foi muito tempo. O suficiente.
Por mera curiosidade pergunto-me se estarás bem, se estás feliz. Ainda ontem te ouvi mas não te ouvia verdadeiramente. Porque estás desbotado. Mas não guardo qualquer resquício de rancor. Foi como tinha de ser e quando teve de ser. Foi tempo. Foi o destino ou o seu primo direito - o acaso.
Foi depressa. Foi abrupto. De repente enchias-me de promessas, outras faziamos planos. Sempre consciente que os fazíamos no campo do não realizável. Sonhos e esperanças que se desfizeram nas ondas de um mar salgado que certo dia correu sobre o meu rosto.
Este revivalismo é uma introspecção, vazio de significado sentimental. Não são saudades. É o acordar para a realidade. Para voltar ao dia-a-dia. Para usufruir de tudo o que esse dia me possa oferecer. Com mais uma experiência, mais um rosto e mais alguém que deixei entrar na minha vida de portas abertas mas que já não faz parte dela. E , inexplicavelmente, sinto um certo alívio. Respiro melhor. Inspiro e expiro este elixir que é a mágoa misturada com a força de viver.
Talvez sejam saudades de mim. Desse tempo recente em que acreditava e me enchia de esperanças. E depois enchia-me de tristeza. Insustentável.
A vida trocou-me as voltas e a única saída era afastar-me de ti. Quando me começaste a fazer pior do que melhor. Não quero ser radical. Não sei ao certo como será mas imagino pois apesar de ter passado pouco tempo sinto que consigo prever nas entrelinhas o desfecho. E já não quero mais. Estou cansada. Posso estar errada. Posso não estar. O coração diz-me que não será muito diferente do que imagino. Eu ouço-o.
Só para te dizer que não és reflexo de mim. Que hoje pensei em mim e por acaso em ti....

sexta-feira, janeiro 11, 2008

segunda-feira, janeiro 07, 2008

De olhos semi abertos


" Será que o mundo, que arranja sempre maneira, um dia me descobrirá?" - por vezes questiono-me. Não me fecho ao mundo. Vivo nele e sou sua parte integrante. Se me perco é porque os meus olhos não conseguem focalizar bem o essencial, o que até é normal. Não ando com eles fechados. Não durante o dia, não enquanto desperto para a vida. Estará ele zangado? Ou é uma reconciliação à vista ainda que eu não a vislumbre?...
Diz-se muitas vezes que um ser sozinho não é completo. A solidão é boa quando desejamos ter esses momentos só nossos. Mas sou um ser social, não me encerro em nenhum castelo qual Rapunzel. E já não tenho idade para acreditar em princípes encantado, nem as tranças.
Não é só no amor que questiono se me descobrirão ou se eu descobrirei alguém. Em todas as facetas da vida. Ser-se só não é um estdado de graça. Estar só porque se precisa é muito diferente.
Deixei-me de alguns radicalismos que primavam a minha dolescência, amoleci noutros aspectos, endureci nos restantes. Como se estivesse a cozinhar e a juntar todos os ingredientes, o resultado é a minha pessoa. Deve-me ter escapado algo. Ou não. Não importa.

Das cinzas levantei as asas e voei


Sinto-me uma Fénix que das cinzas renasceu e pode iniciar, melhor - dar continuidade novamente à sua vida. Porque a vida por vezes tem destas coisas - pára por instantes, dá-nos um colo onde dormimos e quando acordamos sabemos que temos de continuar. Mau grado os arranhões que ela nos possa causar há que tratá-los e levantarmo-nos de novo ainda que morrendo por dentro.
Não se inicia uma vida porque há todo um passado que não se pode apartar dela. São insígnias que nos acompanham ainda que nem lhes prestemos atenção, estão lá e fazem parte do que nos tornamos. Eu sou o que sou, fruto do que já vivi e com sede do que terei para viver. Sou em crescente aprendizagem. Sou sendo eu mesma com os traços de personalidade já marcados, sabendo o que quero e o que não quero. Ou mais ou menos. É raro termos certezas absolutas pois o mesmo seria dizer que os dias que se sucedem nada de novo nos podem trazer de frutífero ou não. Tenho certezas de algumas coisas. Todos temos. Mas em relação à vida só há uma - que um dia, não sabendo como nem porquê a morte chegará. As outras estão sujeitas a mudança.
Num ano que se inicia tudo poderia ficar igual. Tudo pode ou não. Neste campo mais pessoal eu não quero que fique tudo igual.
Entrei em auto-combustão. De noite morri. Acordei com o sol a bater-me nos olhos sem pedir licença e regressei. Sigo ou tento seguir em frente. O caminho desconhecido, a estrada, as curvas, as intersecções que me esperam e que desconheço. Sem medo. Com medo ficamos na encruzilhada. Ou enterrando o medo, se for caso de o ter, no fundo mais fundo de mim. Para que não me estorve nem me canse nem me impeça de continuar.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Portugal = Maria Vai Com As Outras

Não gosto de entrar em politiquices mas que este país cada vez está pior está. E o pior é que as altas patentes que o lideram continuam a atirar areia, mas muito pouquinha e muito fininha - para os nossos olhos já tão habituadinhos que nem faz diferença.
Olhando para cerca de dez anos atrás só mudavam os políticos - as queixas mantinham-se. Agora mudaram os políticos, as políticas, mas continua a ser tudo um macacada. Um país de bananas sem identidade. Não venham falar de fado, não é disso que hoje se trata.
O primeiro-ministro arma-se em grande estadista - o Tratado -que devia ser referendado e que até chegou a ser embora chumbado noutros países - é assinado em Lisboa. É pá porreiro.
A cimeira que precedeu a guerra no Iraque teve origem na base das lages - porreiro não espectacular.
Entra o novo ano e uma nova lei de tabaco tão mal explicadinha que não se percebe nadinha. Ainda se percebe menos o aumento do Tabaco porque 80% do que é pago por um maço de tabaco vai para os cofres do estado e não para as tabaqueiras. Logo poderíamos concluir que esse dinheiro, e que é muito, seria aplicado em formas mais eficazes ao nível da saúde por exemplo para ajudar os que mais precisam. Naaaa - as taxas moderadoras sobem, fecham-se urgências mas pronto é porreiraço porque assim já estamos nós a imitar os nossos queriduxos americanos.
Como se a América quisesse saber de Portugal. Ou as Nações Unidas. É a própria história quem o diz.
Os países ricos interferem com países de onde sabem que poderão extrair alum benefício monetário para eles próprios e nesse campo portugal nada tem para oferecer. Portugal oferece uma subserviência ridícula, descura os seus, enche-se de vaidade e de grandezas quando os que cá vivem financiam essas suas manias e sofrem com as tolices que fazem.
Agora as escolas não vão poder ter nomes de santos só não sei é como essa medida pretende melhorar o ensino, mas tudo bem. A ministra deve sentir alguma satisfação em não fazendo nada aparecer nos telejornais, enquanto os problemas da educação em Portugal se agravam...
Eu não sei mas se Sócrates e toda a escumalha que tem poder, poder que se estende aos seus ministros, a instituições que deviam ser públicas mas que o estado lá vai meter a mão, a quase todos que estão na "oposição" sendo esta tão fraquinha que nem se percebe para que existe, não sei onde vamos parar. Já se tentam imiscuir na justiça - juizes e tribunais, PJ, e demais... Deixa de existir a ordem que regula esses organismos para imperar a ordem do Estado. Agora digam-me, que raio de democracia é esta?????
Já não basta gritar BASTA. A acção é que pode originar alguma reacção. Ir para o café armados em coitados, falar sem falar verdadeiramente do estado do país mas nada fazer para o abanar não chega.
Escrever não chega. O contra-poder não existe só o desejo por mais poder. Quem pode parte e deixa a terra. Quem vive nela sofre igual. Só duas classes sociais substitirão: as muito ricas e as muito pobres. E nós como vamos viver neste mundo que está retorcido???? Neste país que é nosso de nome mas que de nós só quer o dinhéiro, principalmente daqueles que menos podem???
Gostava de responder e resolver. Sou uma só. Revolto-me e zango-me.
E rio-me da tristeza desta Maria que vai com as outras iludida que as outras a vão olhar de forma diferente....

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Na tristeza apeteceu-me sorrir



Hoje apeteceu-me ser folha, misturar-me no inverno e nas cores de outono que ainda predominam. Apeteceu-me olhar. Ser terra e me misturar. Ter asas e pairar.
Entrei no jardim. Rostos desconhecidos, idosos aquecidos pela temperatura da hora de almoço, bem diferente da que se fazia sentir pela manhã, quando a geada nos tolhia os corpos que desapareciam dentro de grandes casacos....
Vi uma senhora dar de comer às pombas. quis ser pomba e ter uma migalha daquele carinho desprovido de qualquer retorno. Riu-se para mim a senhora, retribui. Sorriso sincero.
Passou outra por mim a chorar. Também eu sou hoje lágrimas salgadas por dentro. Quando de repente somos confrontados pela realidade de que a vida, nossa e de quem amamos, está tão presa quanto um fio... Quis voar dentro do manto das folhas e mergulhar nas lágrimas que todos deitavam ou guardavam. Descer e ser terra. Desci atordoada pela buzina de um carro.... E de volta à realidade - a vida presa à vida por um fio e o sol deste inverno no meu corpo....