quinta-feira, junho 05, 2008

quinta-feira, março 27, 2008

Carlos Paiao - Cinderela

é daquelas que trauteio no carro e que canto sorrindo à minha priminha...

quarta-feira, março 19, 2008

Aos 30 alguma diferença havia de se notar

Hoje acordei assim. Não exactamente "assim" mas com um par de olheiras nos olhos.
Uma semana atrás gabava-me de não ter olheiras nem rugas, no alto dos meus *** anos. dos meus 30 anos. Conselho ao meu corpo: nunca dormir mais do que quatro/cinco horas. Fico com olheiras. O meu corpo dispensa esse sono prolongado. Não faz parte da sua natureza. Tenho dito, a mim. Vale o que vale. Vale para mim....
Para depois não ficar com o olhar triste... além das olheiras que o compõem. A ver se isto volta ao sítio.

terça-feira, março 18, 2008

................................................


Hoje posso estar assim?
Amparas-me?
Proteges-me?
Coloca-me nessa redoma que são as palmas da tua mão feitas concha
E depois atira-me ao mar
Que me espera e me vai levar...
Tem é de ser hoje...
Obrigada...


Estes dias não têm cor. As pessoas dizem que são cinzentos mas não são. São um borrão. Não são nada... São dias e noites de um inverno que ainda não deixou.
Quando tudo parece distante vai-se a ver e não é bem assim. A noção do tempo inverte-se na nossa lógica esquecional.
Olhamos as coisas sem as ver realmente. Pensamos sem pensar. Trabalhamos por trabalhar. Assistimos sem dar por isso ao tempo a passar e quando achamos que já passou o tempo suficiente vamos a ver e olha, afinal não.
Não me importa que chova ou faça sol. Prefiro o sol e prefiro a lua cheia. Gosto de me molhar na chuva - se chorar ninguém vai notar porque as lágrimas se vão confundir com os salpicos de água que caem do céu. Do céu ou das nuvens? não importa é lá de cima...
Já me esqueci de muita coisa. Outras de que nem tinha memória vêem ter comigo agora - aos trinta anos. Ele há cada coisa... Ui Ui...
Deste passado recente é que não me recordo. Dantes a névoa recaia nas recordações que supostamente deveria ter da minha infância. gora recai sobre os últimos 10 anos, coisa e tal. Recai sobre meio ano coisa e tal. A memória é danada...
Recai sobre um minuto que não teve importânia alguma. Não o retive. Não quis. Não era bom. Sei lá porquê mas apagou-se. Como uma luz que se queima, uma vela ao sabor do vento. Era eu. Soprou o vento mais forte e fui-me.
Estou aqui mas não sou vela nem quente, nem ilumino ninguém. A gente também se farta.
Farta-se de ser gente e farta-se da gente que nos rodeia em determinado período. Não há muito a fazer. Não fazer frete. Seguir em frente.
Vamos para velhos e regressamos a uma nova infância. Vejo isso em certas pessoas. Ou então é feitio e defeito serem tão infantis.
Quem quer mimo neste dia frio e sem cor? E se enrolar num cobertor? E esquecer de vez aquela dor? E ouvir apenas o respirar tranquilo de quem adormece embalado pela recordação mais suave que tem? Ou por nenhuma recordação apenas o relaxar??
Quem?
Quem?
Quem?

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Pensava que gostava de rosas até descobrir a tulipa



Pensava que gostava de rosas até descobrir a tulipa. Pensava que não gostava que me catalogassem até me chamarem princesa. Ou princesa Tulipa.
Pensamos muita coisa até descobrirmos que o que pensávamos é bastante mutável. Não penso que agora volte a sê-lo. Gosto mesmo de tulipas e quem um dia me alertou para tal facto não imagina o horizonte que me abriu.
Também acho piada aos amores-perfeitos. Só uma flor poderia ter tal designação.
Depois de me compararem a uma tulipa nunca mais voltei a ser rosa. Por livre arbítrio entenda-se. Podia ser qualquer coisa mas iniciei um romance com as tulipas, uma cumplicidade que não ouso quebrar.
Um dia hei-de ter como sempre desejei uma Ana Rosa. Mas a rosa Ana já não sou eu, nem podia se nunca cheguei a ser. Nem a tal aspirei.
Parece que os espinhos são domínio exclusivo das rosas. Puro engano. Todas as flores e plantas têm os espinhos que vida nelas coloca. A nossa vida. A minha em particular.
Vão-se a rosas, alegro-me com as tulipas e pico-me e magoo-me e dói-me. Não igual. É outra dor que a da rosa faz parte do passado. Esta também fará quando a curar. Ficará o gosto pela flor. Só pela flor. Sem comparações – ou alguma que me seja impossível não estabelecer…

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Se conseguir simplificar a minha vida ao que de mais básico ela possa vir a necessitar vislumbro estandos de felicidade. Tais pensamentos são tão ou mais frequentes quando dou por mim, olhando para mim e para a minha vida com um total, absurdo mas absoluto desinteresse.
E então penso que não preciso ir muito longe. Que de mim, querendo ou não, não me é possível fugir.
Peço mar. Um marido pescador, os meus/nossos filhos. Que ele me trate bem.
Que eu goste dele.
Vejo com uma clareza e nitidez que só a nossa imaginação é capaz de fabricar:
O meu rosto marcado, vincado pelo sol, o cabelo seco apanhado num rabo de cavalo. De lado há muito postas de parte as vaidosices.
A cara despojada de creme ou base ou rouge ou sombra. O corpo que cheira a corpo e a maresia e não a um desses perfumes caros. De lado as roupinhas de menina bonita, os conjuntinhos, as combinações.
O coração nas mãos de tanto que aperta ao ver o meu marinheiro a fazer-se aà vida e entrar no mar. A mão esticada sobre os olhos para que o sol não me impeça de o ver bem. O olhar a perder-se no horizonte longe. Lá longe onde não se sabe onde começa o céu e acaba o mar.
Acordar desse transe com a voz dos meus filhos a puxarem-me as saias.
De manhãzinha vou lavar a roupa para o tanquee estendo-a enquanto faço contas á vida.
Antes do jantar vamos todos à praia, findo o dia de trabalho e de estudo para alguns deles. Contar-lhes histórias de sereias e marinheiros como o pai. Passam-me a mão pelo cabelo seco pelo sol e dizem que a mãe foi a sereia mais bonita que o pai encontrou e que foi por isso que se enfeitiçou por mim. Enquanto me rio contenho as lagrimas num soluço. Passo-lhes a mão pelos cabelos, acabo de dar de mamar. E penso que talvez seja hora de lhes contar outras histórias....

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Nada expressa melhor a palhaçada que se passa neste país

Não há dúvida que o humor é mesmo o melhor REMÉDIO!!!

sábado, janeiro 12, 2008

O que o tempo desfocou

Parece que se passou muito tempo. Tanto tempo que já perdi os contornos do teu rosto e tudo o que me resta é uma imagem desfocada que me recorda fugazmente o que foste. Deixei de te saber de cor. Deixaste de ser o mesmo, pelo menos como te conheci e agora não reconheço.
Este tempo deve-te ter alterado. Alterou-me a mim ou antes retomei a minha vida sem contar contigo. Custa mas é possível. Racionalmente tento compreender o sucedido, embora sem fazer grande esforço porque há coisas que escapam ao entendimento, e a ferida aberta já começava a ser profunda. Tratei dela, continuo a tratar. Já não sangra, mói mais do que dói.
Talvez um confronto directo, que não desejo, me ditaria a verdade mas não anseio ver-te ou rever-te de novo. Não é isso. Mas no tempo em que convivemos mais assiduamente tomei uma parte de ti que começou a ser uma espécie de espelho de quem fui quando estávamos juntos. Não foi muito tempo. O suficiente.
Por mera curiosidade pergunto-me se estarás bem, se estás feliz. Ainda ontem te ouvi mas não te ouvia verdadeiramente. Porque estás desbotado. Mas não guardo qualquer resquício de rancor. Foi como tinha de ser e quando teve de ser. Foi tempo. Foi o destino ou o seu primo direito - o acaso.
Foi depressa. Foi abrupto. De repente enchias-me de promessas, outras faziamos planos. Sempre consciente que os fazíamos no campo do não realizável. Sonhos e esperanças que se desfizeram nas ondas de um mar salgado que certo dia correu sobre o meu rosto.
Este revivalismo é uma introspecção, vazio de significado sentimental. Não são saudades. É o acordar para a realidade. Para voltar ao dia-a-dia. Para usufruir de tudo o que esse dia me possa oferecer. Com mais uma experiência, mais um rosto e mais alguém que deixei entrar na minha vida de portas abertas mas que já não faz parte dela. E , inexplicavelmente, sinto um certo alívio. Respiro melhor. Inspiro e expiro este elixir que é a mágoa misturada com a força de viver.
Talvez sejam saudades de mim. Desse tempo recente em que acreditava e me enchia de esperanças. E depois enchia-me de tristeza. Insustentável.
A vida trocou-me as voltas e a única saída era afastar-me de ti. Quando me começaste a fazer pior do que melhor. Não quero ser radical. Não sei ao certo como será mas imagino pois apesar de ter passado pouco tempo sinto que consigo prever nas entrelinhas o desfecho. E já não quero mais. Estou cansada. Posso estar errada. Posso não estar. O coração diz-me que não será muito diferente do que imagino. Eu ouço-o.
Só para te dizer que não és reflexo de mim. Que hoje pensei em mim e por acaso em ti....

sexta-feira, janeiro 11, 2008

segunda-feira, janeiro 07, 2008

De olhos semi abertos


" Será que o mundo, que arranja sempre maneira, um dia me descobrirá?" - por vezes questiono-me. Não me fecho ao mundo. Vivo nele e sou sua parte integrante. Se me perco é porque os meus olhos não conseguem focalizar bem o essencial, o que até é normal. Não ando com eles fechados. Não durante o dia, não enquanto desperto para a vida. Estará ele zangado? Ou é uma reconciliação à vista ainda que eu não a vislumbre?...
Diz-se muitas vezes que um ser sozinho não é completo. A solidão é boa quando desejamos ter esses momentos só nossos. Mas sou um ser social, não me encerro em nenhum castelo qual Rapunzel. E já não tenho idade para acreditar em princípes encantado, nem as tranças.
Não é só no amor que questiono se me descobrirão ou se eu descobrirei alguém. Em todas as facetas da vida. Ser-se só não é um estdado de graça. Estar só porque se precisa é muito diferente.
Deixei-me de alguns radicalismos que primavam a minha dolescência, amoleci noutros aspectos, endureci nos restantes. Como se estivesse a cozinhar e a juntar todos os ingredientes, o resultado é a minha pessoa. Deve-me ter escapado algo. Ou não. Não importa.

Das cinzas levantei as asas e voei


Sinto-me uma Fénix que das cinzas renasceu e pode iniciar, melhor - dar continuidade novamente à sua vida. Porque a vida por vezes tem destas coisas - pára por instantes, dá-nos um colo onde dormimos e quando acordamos sabemos que temos de continuar. Mau grado os arranhões que ela nos possa causar há que tratá-los e levantarmo-nos de novo ainda que morrendo por dentro.
Não se inicia uma vida porque há todo um passado que não se pode apartar dela. São insígnias que nos acompanham ainda que nem lhes prestemos atenção, estão lá e fazem parte do que nos tornamos. Eu sou o que sou, fruto do que já vivi e com sede do que terei para viver. Sou em crescente aprendizagem. Sou sendo eu mesma com os traços de personalidade já marcados, sabendo o que quero e o que não quero. Ou mais ou menos. É raro termos certezas absolutas pois o mesmo seria dizer que os dias que se sucedem nada de novo nos podem trazer de frutífero ou não. Tenho certezas de algumas coisas. Todos temos. Mas em relação à vida só há uma - que um dia, não sabendo como nem porquê a morte chegará. As outras estão sujeitas a mudança.
Num ano que se inicia tudo poderia ficar igual. Tudo pode ou não. Neste campo mais pessoal eu não quero que fique tudo igual.
Entrei em auto-combustão. De noite morri. Acordei com o sol a bater-me nos olhos sem pedir licença e regressei. Sigo ou tento seguir em frente. O caminho desconhecido, a estrada, as curvas, as intersecções que me esperam e que desconheço. Sem medo. Com medo ficamos na encruzilhada. Ou enterrando o medo, se for caso de o ter, no fundo mais fundo de mim. Para que não me estorve nem me canse nem me impeça de continuar.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Portugal = Maria Vai Com As Outras

Não gosto de entrar em politiquices mas que este país cada vez está pior está. E o pior é que as altas patentes que o lideram continuam a atirar areia, mas muito pouquinha e muito fininha - para os nossos olhos já tão habituadinhos que nem faz diferença.
Olhando para cerca de dez anos atrás só mudavam os políticos - as queixas mantinham-se. Agora mudaram os políticos, as políticas, mas continua a ser tudo um macacada. Um país de bananas sem identidade. Não venham falar de fado, não é disso que hoje se trata.
O primeiro-ministro arma-se em grande estadista - o Tratado -que devia ser referendado e que até chegou a ser embora chumbado noutros países - é assinado em Lisboa. É pá porreiro.
A cimeira que precedeu a guerra no Iraque teve origem na base das lages - porreiro não espectacular.
Entra o novo ano e uma nova lei de tabaco tão mal explicadinha que não se percebe nadinha. Ainda se percebe menos o aumento do Tabaco porque 80% do que é pago por um maço de tabaco vai para os cofres do estado e não para as tabaqueiras. Logo poderíamos concluir que esse dinheiro, e que é muito, seria aplicado em formas mais eficazes ao nível da saúde por exemplo para ajudar os que mais precisam. Naaaa - as taxas moderadoras sobem, fecham-se urgências mas pronto é porreiraço porque assim já estamos nós a imitar os nossos queriduxos americanos.
Como se a América quisesse saber de Portugal. Ou as Nações Unidas. É a própria história quem o diz.
Os países ricos interferem com países de onde sabem que poderão extrair alum benefício monetário para eles próprios e nesse campo portugal nada tem para oferecer. Portugal oferece uma subserviência ridícula, descura os seus, enche-se de vaidade e de grandezas quando os que cá vivem financiam essas suas manias e sofrem com as tolices que fazem.
Agora as escolas não vão poder ter nomes de santos só não sei é como essa medida pretende melhorar o ensino, mas tudo bem. A ministra deve sentir alguma satisfação em não fazendo nada aparecer nos telejornais, enquanto os problemas da educação em Portugal se agravam...
Eu não sei mas se Sócrates e toda a escumalha que tem poder, poder que se estende aos seus ministros, a instituições que deviam ser públicas mas que o estado lá vai meter a mão, a quase todos que estão na "oposição" sendo esta tão fraquinha que nem se percebe para que existe, não sei onde vamos parar. Já se tentam imiscuir na justiça - juizes e tribunais, PJ, e demais... Deixa de existir a ordem que regula esses organismos para imperar a ordem do Estado. Agora digam-me, que raio de democracia é esta?????
Já não basta gritar BASTA. A acção é que pode originar alguma reacção. Ir para o café armados em coitados, falar sem falar verdadeiramente do estado do país mas nada fazer para o abanar não chega.
Escrever não chega. O contra-poder não existe só o desejo por mais poder. Quem pode parte e deixa a terra. Quem vive nela sofre igual. Só duas classes sociais substitirão: as muito ricas e as muito pobres. E nós como vamos viver neste mundo que está retorcido???? Neste país que é nosso de nome mas que de nós só quer o dinhéiro, principalmente daqueles que menos podem???
Gostava de responder e resolver. Sou uma só. Revolto-me e zango-me.
E rio-me da tristeza desta Maria que vai com as outras iludida que as outras a vão olhar de forma diferente....

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Na tristeza apeteceu-me sorrir



Hoje apeteceu-me ser folha, misturar-me no inverno e nas cores de outono que ainda predominam. Apeteceu-me olhar. Ser terra e me misturar. Ter asas e pairar.
Entrei no jardim. Rostos desconhecidos, idosos aquecidos pela temperatura da hora de almoço, bem diferente da que se fazia sentir pela manhã, quando a geada nos tolhia os corpos que desapareciam dentro de grandes casacos....
Vi uma senhora dar de comer às pombas. quis ser pomba e ter uma migalha daquele carinho desprovido de qualquer retorno. Riu-se para mim a senhora, retribui. Sorriso sincero.
Passou outra por mim a chorar. Também eu sou hoje lágrimas salgadas por dentro. Quando de repente somos confrontados pela realidade de que a vida, nossa e de quem amamos, está tão presa quanto um fio... Quis voar dentro do manto das folhas e mergulhar nas lágrimas que todos deitavam ou guardavam. Descer e ser terra. Desci atordoada pela buzina de um carro.... E de volta à realidade - a vida presa à vida por um fio e o sol deste inverno no meu corpo....

quinta-feira, novembro 15, 2007

ConFUSOSões


15h02m
Estou à tua espera. Estás dois minutos atrasado, mais coisa menos coisa. O que é mau. Eu é que te espero e isso é pessimo. Porque eu fiz tudo para estar aqui na hora marcada. Corri tanto que depois até atrasei o passo para não chegar mais cedo - pelo menos não mais cedo do que tu.
Saí e mal tive tempo para me pentear. Depois nós, mulheres, é que somos vaidosas... Está bem, está.
Tento parecer o mais calma possível. Para não parecer que te espero.
Já passaram dez minutos sobre a hora combinada e tu de grilo. E eu ainda não desesperei nem me fui embora. Vendo bem, até deu jeito ainda não teres chegado. Fui à casa-de-banho e pentei-me. E pintei os lábios. Sempre fico com um ar mais apresentável - não que tu mereças. Conheces-me há um mês e fazes uma coisa destas. Deves julgar-te muito bom. É que nem sequer telefonas...
Espero bem que não apareças agora. Provavelmente seria a última vez que olharias para mim e eu, feita parva ainda quero demorar o meu olhar em ti.
Acho que ainda ninguém se apercebeu que me encontro plantada à tua espera. O cabelo também não está tão penteado quanto isso. Sempre quero ver o teu. Pelo menos aparece arranjado para mostrares algum empenho e eu pensar duas vezes antes de te dizer o que mereces ouvir. Francamente...
15h32m
Vou-me embora.
Que raios... Parece que é o teu carro que estou a ver à porta da minha casa.
O quê? Estás aqui há uma hora e três minutos há minha espera???
Só podes estar é a gozar comigo - então não combinamos no café??
Hoje de manhã? Falaste comigo hoje de manhã e combinamos na minha casa? Falaste comigo às oito horas e seis minutos da manhã, antes de ires trabalhar e quando eu ainda fazia meia-noite perdida entre os lençóis?? Claro que não me lembro. Já devias saber que de manhã raramente me lembro do que quer que seja!
O teu sorriso desarma-me. Não sei como consegues sorrir depois de "secares" à minha espera. O meu amor é um resistente!!!
Que te posso dizer?... Não me bastava ser mulher, com tudo o que isso implica, como tinha de nascer com uma lua na cabeça com os quartos trocados....

quarta-feira, outubro 31, 2007

Corpo Ausente



A tua ausência
Prolonga-se nesta cama fria
Onde me deito impaciente
Que de noite se faça dia.
Os lençóis gelados
Cobrem meu corpo que grita
Pelo teu corpo quente
Que uma vez ausente,
Em tudo participa.
A tua alma presente
Acentua o teu não estar.
Aguardo avidamente
Nesta cama de ninguém
Que se encha com o teu chegar.

terça-feira, outubro 30, 2007

O vício da Vida




A vida é um pequeno vício
Que se sorve pouco a pouco
Com efeito lento no início
Em graduação até ao estado louco

Uma droga leve e insípida
Que cria dependência
A triste consequência
É o sabor amargo
Que com um pequeno trago
Patenteia
Aquele que a saboreia

segunda-feira, outubro 29, 2007

Afogamento



Dois corpos revoltos
Unem-se na constelação
E depois já soltos
Aquietam-se no coração

Fica no espaço a calma
Um grito de sossego
Repousa na alma
Afasta o medo

O pano cai
Afoga-se no mar salgado
E na areia se esvai
O cúmplice apaixonado

Duvido que volte
Que tudo caia no esquecimento
Pode ser que então me solte
Do seu obsessivo preenchimento

sábado, outubro 20, 2007







O que há de eterno em Ti
Passeia pelo meu corpo
E o meu infinito
Chama num só grito
Por Ti

O meu mim
É só para Ti

quarta-feira, outubro 10, 2007

quarta-feira, agosto 22, 2007

Nem Verão, Nem Inverno, Tão-pouco Outono



Não era Verão nem Inverno. Mas parecia. Os dias eram quentes e durante a noite não se conseguia evitar o bater de dentes. Era Outono, um Outono completamente atípico.
Quando não restavam dúvidas de que era realmente Inverno questionei-me por onde andarias, se tinhas existido mesmo e entrado de rompante na minha vida, a qual consequentemente se tinha tornado mais leve...
Mas, nesse duro inverno, já não escutava nem um eco dentro de mim que denunciasse a tua presença. Dei por mim a pensar que talvez não tenhas passado de uma estrela cadente que depressa desapareceu no manto negro desse noite tão escura.
Então o sol deixou de brilhar, pelo menos para mim. Nem lhe prestei mais atenção...
É preciso não acreditar em nada para depois poder voltar a acreditar em alguma coisa. Nesse momento eu não sabia nada de nada... Neste momento também não sei grande coisa... Passou quase um ano... Nunca mais soube nada de ti, nunca mais perguntei, por medo não sei, mas ainda me lembro. Muito.

Olhando para trás penso que não me restam grandes alternativas. Devia ter sido mais esperta, mais inteligente, tudo mais e, noutros aspectos tudo menos. Que me perdi e perdi muito mais do que ganhei... Desencontrei-me de mim novamente.

Atingiste o meu ponto gravitacional e eu estatelei-me no chão.

sábado, novembro 25, 2006

Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal

Nunca te escrevi uma carta sabias? Nem quando era mais pequena. No meu tempo não eras como te tornaram hoje em dia. Não te apercebeste? Bem, no meu tempo eras só aquele velhinho que saía de casa, lá onde faz muito frio, na véspera de natal e entrava por artes mágicas em casas, mesmo naquelas que não tinham chaminé, para deixar prendinhas... tinhas as tuas renas e os duendes que te ajudavam. era muito engraçado. lá em casa só abríamos os presentes na manhã do dia 25. na noite que precedia esse dia eu e a minha irmã tentávamos não adormecer para ver se algum dia davamos por ti. eras muito esperto. de qualquer maneira agora não sei o que fizeram de ti... deves estar em casa quentinho com a mãe/esposa natal e nem te apercebes que por cá não te tratam muito bem. Aliás não tratam bem ninguém, essa é que é essa. Bem há pessoas que nesta altura se vestem como tu para terem mais uns trocos. Vens nas latas e garrafas de coca-cola como se fosses uma marca. E a maior parte das crianças nem acreditam que tu existes. Aquela fantasia que te envolvia e te tornava tão especial foi e está a ser completamente adulterada... Não sou nenhuma velha do restelo, percebes... mas há um limite para tudo, embora para a maior parte os limites são aqueles que eles bem entendem, sem entenderem que passam por outros para alcançá-los que não havia necessidade.
De qualquer maneira há uma certa crueldade gratuita que tomou conta do mundo e das pessoas. Ninguém tem certeza de nada. Acredita-se pouco porque há falta de coisas para acreditar, falta em quem acreditar. Mas também não te quero aborrecer com estas coisas...
Agora que cresci a magia do natal perdeu-se um bocado. Aliás acho que se começou a perder quando me disseram que tu não existias e a prova estampada no rosto da minha irmã quando lhe contei. achavam que a determinada altura já é altura de sabermos certas verdades que no fundo pouco importam. como aquilo que costumam dizer "ah! agora que te veio a menstruação já és uma mulher" e tu não entendes nada porque ainda és novinha e só sabes que vais ter de aguentar todos os meses, durante algum tempo, essa chatice que é...
enfim, o natal é mais uma reunião de família em que o meu tio bebe uns copos de coca-cola e parece que bebeu uma garrafa de vinho. a nossa fantasia de outrora desvaneceu-se, mas ainda temos certos rituais, ou tinhamos... o natal também era mais divertido quando os meus bisavós estavam vivos... é verdade que os melhores natais são os que guardo na minha memória. Os próximos não sei como serão. Este não vai ser particularmente especial mas alguma coisa se há-de arranjar né?

Um beijo grande

Ana

PS - agasalha-te bem, eu sei que não tens idade nem esses problemas de saúde que atacam os comuns mortais, mas pronto... se passares pelas casas daqueles a quem eu quero bem deixa-lhes uma brisa suave. e se vires a cinderela deita-a direitinha está?
Obrigada Pai Natal.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Há poucos dias atrás tive a noção, ou andei lá perto, de que tudo o que tinha escrito até agora tinha finalmente encontrado um destinatário. já não sou só eu e a caneta mas há alguém para quem tudo, ou quase, devo dizer. não tenho certezas, cada vez tenho menos em relação a isso. queria-lhe perguntar em que pensa e o que quer, mas recuo e penso que se não mo diz não quer nada, nem pensa em nada. todos temos medo de sofrer. mas se não dermos o passo em frente... se calhar não valho a pena. se calhar ele não sabe que se caisse eu estava sempre lá para lhe estender a mão... eu gostava que ele soubesse. disso e de muitas outras coisas... entre elas que gosto dele. muito. que tenho medo muito. que tenho muita vontade e muitas saudades. que tenho medo que o tempo nos troque as voltas e depois já não haja tempo para nós. nós que ainda não existe senão na amizade que partilhamos e isso é bonito... é tudo muito bonito o que estou a viver... não que quisesse que fosse sempre assim, mas o que tem de ser tem muita força e neste momento o que tenho, não me bastando, faz-me feliz...

domingo, outubro 15, 2006



Escuto
Lá fora
O silêncio apregoa:
Vende barato
A alma que se veste de luto.
Recuso
Que dela faça ele uso
Que da minha também estou farto.

sábado, outubro 07, 2006

Jogo de Palavras


As palavras não meço
Que digo sem pensar
Nelas tropeço
E o que digo
Logo contradigo
Acabando por magoar

Falo sem querer
Sem me conseguir ouvir
Não sei o que dizer
Mas não o queria sequer
Nem o disse por sentir
...

sexta-feira, outubro 06, 2006

O Amor


Falar sobre o amor é a priori redundante. Afinal, o que é que se escrever sobre o amor que acrescente algo ao tanto que já foi escrito, contado e cantado sobre ele? Não é tarefa fácil, longe disso. Assim, começo por dizer que o amor é o amor, porque só há um amor. E, o amor integra dentro de si, na simbólica metáfora de um coração, muitos tipos de amores, pois é grande o coração que sente.

O amor é uma palavra mas é muito mais que uma palavra – é um sentimento. É uma palavra impregnada de outras palavras e um sentimento coadunado a tantos outros sentimentos.

Se começarmos pelo básico, há dois tipos de amor, duas grandes categorias que são o amor correspondido e o amor não correspondido. A partir daqui é que tudo se complexifica. Isto porque dentro destes dois tipos de amor há muitos outros (o amor é dúbio, enorme e muito) como o amor-ódio, amor-paixão, amor-amizade, amor-filial, amor-carnal,… Mas tudo é amor-amor. E não há nada mais puro que esse amor-amor, nascido do nada, mais forte que tudo, imprevisível, exigente, lamechas, que tem tanto de bom como de ingrato. Ora nos faz atingir a plenitude da máxima felicidade como a mais funda, profunda e dolorosa tristeza.
A dor e a tristeza estão, intrinsecamente, ligadas ao amor. A felicidade mais não é senão breves momentos em que a dor se ausenta, pois em si a felicidade não existe, apenas a ausência de dor.

É mais fácil falar do amor quando não se ama, porque quando se ama não temos nada a apontar ao nosso amor, mesmo as pequenas feridas por ele provocadas são envolvidas nessa imagem idolatrada, que as cura de forma quase imperceptível.
Nem sempre sabemos que amamos. Mas quando amamos não temos dúvida alguma. É fácil para aquele que não ama duvidar dos seus sentimentos, porque eles não são fortes nem bafejados pelo amor. O amor traz-nos medo, insegurança. Faz com que pareçamos tontos, damos por nós a sorrir no metro ou no autocarro só porque nos lembramos do nosso amor. O amor torna-nos outra vez crianças .

O amor não é só um gostar muito de. É um gostar muito, muito até ao infinito vezes infinito. É o gostar supremo e é isso que o torna numa palavra intocável, pronunciada a medo quando realmente sentida e nunca por outra razão qualquer.

O amor implica um ultrapassar o nosso eu, o nosso egoísmo ou egocentrismo e transportarmo-nos para o outro, ao ponto dele se tornar mais importante que nós próprios. Mas o amor tem limites, tem diferentes intensidades. O sofrimento a longo prazo e quando grande pode matar o amor, pode mesmo transformá-lo em ódio, raiva, obsessão ou num simples ignorar do outro.

O amor adquire em primeiro lugar a forma de um sonho, uma ilusão que nos alimenta o coração desde a mais tenra idade. Por isso é que amamos, antes de tudo, a ideia de amar. De amar alguém, claro, em quem projectamos as nossas fantasias e esperanças num corpo fantasma, sem rosto nem forma, que não conhecemos senão através de nós mesmos e do nosso imaginário.
O amor é um código preenchido por qualquer pessoa como entender. Não há regras ou se as há são para serem esquecidas. É um som que reclama um eco. O discurso amoroso vem do íntimo. Muitas frases não chegam a ser ditas, detêm-se no pensamento, a língua dá um nó e tudo sai ao contrário do que se esperava.

O amor está cheio de figuras e estas encarnam as incertezas. As palavras no discurso de amor dependem de um acaso, de uma ordem arbitrária. De nada adianta ensaiar. O discurso é sempre um autêntico caos com o coração a bater mais forte que nunca.

No amor a experiência não serve de nada. É assim, começa-se sempre do zero. Sabe-se nada. Népia. Damos saltos, rimos por tudo e por nada, olhamos horas sem fim para o vazio, sonhamos acordados.

O ciúme costuma ser uma paixão totalitária, consequência directa da insegurança. Nas coisas do coração por muito democrática que seja a nossa razão, somos todos fascistas.
Queremos prender o ser amado numa masmorra, para que ele seja só nosso e de mais ninguém.
O ciúme nasce da insegurança e corrói terrivelmente o pensamento. Por outro lado ele é apenas o princípio do amor. Quem tem ciúmes tem medo de perder e quem tem medo de perder é porque preza aquilo que tem.
Mas é preciso controlar os ciúmes, o que não é fácil, pois tal implica termos confiança plena em nós mesmos e no outro.
Quando se ama alguém a ideia de deixá-lo em liberdade é uma tortura. E por isso, porque achamos que valemos tão pouquinho, é que proibimos quem amamos, apetece privá-lo de todo o contacto humano. Projectamos no sujeito que amamos uma visão estética – ser perfeito. O outro revela a especialidade e a especificidade do meu desejo – amo-o a ele a não a outros. É uma escolha rigorosa, ainda que inconsciente, e difícil essa tarefa de encontramos a outra metade que encaixa perfeitamente em nós. Por isso tememos tanto a sua perda.

No campo da literatura, do cinema, da música, o grande amor (se é que se pode medir o amor em grande médio ou pequeno, e eu penso que não) aparece-nos em duas figuras estereotipadas e imortalizadas pela obra mais conhecida de Shakespeare: Romeu e Julieta. Ícones das atrocidades do amor, do quanto ele é injusto e insensato visto que só na morte se encontram e se podem amar.

No amor a plenitude existe (mas aterroriza), a dor ausenta-se e avista-se a felicidade, entre um beijo, um abraço, uma cópula.

A tragicidade do amor está inexoravelmente associada ao amor. Palavras como o destino ganham grande projecção. A ideia de que o amor é algo que nos transcende, deixado aos desígnios dos deuses que são muito maiores que nós, pobres mortais, bafejados por essa imensa sorte de sentirmos algo tão puro (?!).

A verdade é que, como alguém disse, todo o amor é um engano. "Trata-se é de nos enganarmos bem…". Não me parece... mas preferia enganar-me uma vez que fosse do que nunca ter tentado...

Quando



Quando te lembrares de mim, se te lembrares de mim, eu vou estar muito longe daqui. À procura do que me foge, fugindo às lágrimas que correm no rosto, correndo para delas me desencontrar.

Se alguma vez te ocorrer pensar em mim, eu já não serei aquela menina mimada. Vou estar algures por aí, se calhar mais perto de ti, a ver a felicidade a passar, buscando os estandos da felicidade, a envelhecer calmamente.
Não voltarás a ver-me aqui. A viagem faço-a pelo mundo até à terra do não-sei-onde-mas-para-sempre.

E quando te lembrares de mim, então aí, estarei morta e enterrada e tu nunca saberás quem fui e eu nunca to poderei dizer...

domingo, outubro 01, 2006

Sim/Não???


Meu amor
Volta para mim
Dou-te o meu colo
E no teu choro
Sim?

Meu amor
Do coração
Repara:
Não quero estar só
Não?

Meu amor
Diz-me paixão
Afinal – amas-me
Sim ou não?

quinta-feira, setembro 28, 2006

Noite e Dia


Às vezes à noite
Acontece
Ouvir o teu respirar
Que com a manhã
Desaparece
Para mais tarde regressar


Às vezes à noite
Parece
Sentir o teu calor
Que a manhã
Arrefece
Mas faz tremer de amor


Às vezes a noite
Esquece
O teu ser em mim
Que a manhã
Entorpece
Numa lembrança sem fim


Às vezes na noite
Permanece
Um cheiro que é só teu
Que a manhã
Desvanece
Para torná-lo meu


Às vezes o dia
Perece
Ante tua imagem fugidia
Que a noite faz com que
Regresse
Assim como a minha alegria

Autor

“Autor: o que se expõe mais do que se expõe, o que inventa e o que se inventa, o que se finge, o que se esconde, o que se mostra”

in “A Terceira Rosa”
Manuel Alegre

quarta-feira, setembro 27, 2006

Quem


Quem me abandona
Sob a luz fugidia
E amaldiçoa
O dia que principia

Quem veio de onde
E me levou para perto
Quem de mim esconde
O meu vasto deserto


Quem me canta baixinho
A dor da habituação
E depois, devagarinho
Me conduz à solidão


Não me inspiras um poema, vida minha
A alma cinzenta consome toda a euforia
Fica somente a cor sombria
E no passar do tempo
Permaneço sozinha....

Fuga


Era noite
Ela fugia
E não temia
Os segredos ocultos
Ou leves tumultos
Que se levantavam
Não os ouvia
Apenas corria
Sem tropeçar.

Era noite
Sem destino traçado
E o corpo aliviado
Não queria parar.
Ela não sabia
Mas a alma vazia
Também corria
Para a alcançar.

A noite cerrou-se
E o coração fechou-se
A quem quisesse entrar
O silêncio profundo
E a ausência do mundo
Fê-la desencontrar
E o que procurava
Já alto voava
Por entre o luar.

terça-feira, setembro 26, 2006

Névoa


Vão longe as noites quentes de Verão

Longe vai o barco que navega no mar

Aproxima-se a dor que corroi o coracão

Está perto e eu prestes a chorar


Vai longe a doce sensação

De me sentir bem e sorrir

Bem mais perto esta a vontade

Desta magoa que não quer partir


Partirei eu um dia

E na morte encontrarei um céu a brilhar

Deixará de ser minh´ alma vazia

Deixarão meus olhos de chorar


As lágrimas que cobrem meu rosto

São marcas que a dor causou

Talvez com o sol de Agosto

Possa dizer que o tormento terminou


Nesse dia gritando espalharei

Que não sou triste, estou contente

E tudo que no passado chorei

Foi compensado pelo sereno presente